Morador
de Uberaba (MG) desde 1980, o mecânico natural de Itajaí (SC), Alfredo
Moser, 61 anos, inventou em 2002 a "luz engarrafada". O produto, criado
para economizar energia e preservar o planeta, já beneficia milhares de
pessoas pelo mundo. A "lâmpada de Moser" está em uso em pelo menos 15
países, entre eles Filipinas, Bangladesh, Índia, México, Colômbia.
Mesmo com todo esse sucesso, Moser, que concluiu apenas o ensino fundamental, permanece vivendo com extrema simplicidade ao lado da esposa Carmelinda, com quem é casado há 35 anos, e do filho Samuel, de 27 anos. Sua consciência ecológica e sua postura solidária impressionam.
"Nunca
pensei em ficar rico, mas sim em ajudar a população, pois a energia
elétrica é muito cara, e em contribuir para a preservação do planeta,"
diz. Dependendo da força do calor, segundo mediu um engenheiro da Cemig,
a "lâmpada de Moser" é de 40 a 60 watts.
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| Imagem: Reprodução/RS |
Além
de usar sua lâmpada em casa, Moser já a instalou em casas de vizinhos e
até em um supermercado do bairro. Ademar Bernardes Júnior, dono do
estabelecimento, quer ampliar o uso da iluminação, que atualmente é
restrita ao depósito, também para outros ambientes do supermercado.
"Eu
gostaria que as autoridades políticas apoiassem a iniciativa que vem ao
encontro do conceito de sustentabilidade", diz Bernardes Júnior.
A
"lâmpada de Moser" já é usada em áreas mais pobres em estufa para a
produção de alimentos. Há casos em que a economia com energia, de
aproximadamente 30%, permitiu que a família carente comprasse o enxoval
do bebê. E ele revela que já consegue colocar sua lâmpada até em casas
com laje, utilizando baldes de plástico.
No
Brasil, além de em Uberaba, sua lâmpada também é usada em Santa
Catarina, instalada por um primo; em Osasco (SP), no Núcleo de Educação
Ambiental, no Parque Chico Mendes; em Brasília e no Piauí.
Investidor.
O
sonho de Moser é que uma empresa se interesse pela sua invenção e possa
investir em tecnologia para que ela tenha um formato mais decorativo,
ilumine mais e também à noite. É que a lâmpada inventada por ele, usando
garrafa pet com água e duas tampinhas de água sanitária, instalada no
telhado com massa plástica, depende da luz do sol. "Eu já sei como fazer
ela clarear à noite, mas preciso de apoio financeiro."
Moser
já procurou políticos das esferas municipal, estadual e federal, mas
ainda não conseguiu apoio para registrar o seu invento nos órgãos
competentes. "O governo deveria ter um órgão de acesso fácil pelos
inventores para patentear seus produtos, até porque cada invento
movimenta diversos segmentos da economia", observa. Moser mostra uma
lista de vários locais que já o instruíram a procurar, mas ele não
possui recursos financeiros para cobrir os gastos com viagens. "Se gasta
muito dinheiro para ir ao espaço, por exemplo, e coisas simples assim
dificilmente têm respaldo", lamenta.
Nas
Filipinas, o diretor executivo da Fundação MyShelter, Angelo Illac
Diaz, segundo ele, conseguiu apoio e começou a fazer as lâmpadas em
2011, que já iluminam 140 mil casas.
"Isso
é o que me deixa emocionado. Ver a alegria de pessoas que vivem na
pobreza terem luz em casa sem custo nenhum", enfatiza. A luz engarrafada
representa uma revolução, pois é limpa, eficiente e sem custo. Ele se
emociona ao dizer que deixará um legado importante para a humanidade,
pois esta será a luz do futuro, já que daqui a milhões de anos a água
vai acabar e a "lâmpada de Moser" ilumina com energia solar. Seu projeto
ganhou projeção nacional com a aprovação de engenheiros de centrais
elétricas.
Tudo
começou quando Moser trabalhava em Brasília, na década de 70. Como as
quedas de aviões eram constantes, ele se preocupou em criar formas de
sinalizar a ocorrência de acidentes. O chefe dele disse que se fosse
necessário bastaria usar uma garrafa de vidro com água que refletiria o
sol e pegaria fogo no capim. A fumaça sinalizaria e ele guardou a ideia
sempre pensando em aperfeiçoá-la, mas sem o uso de vidro. Por isso optou
pela garrafa pet.
Filho
de pai de origem italiana e mãe de origem alemã, Moser foi trabalhador
braçal para ajudar os pais a arcar com as despesas para manter os seus
11 irmãos na escola. A maior alegria de Moser é que, antes de seus pais
morrerem, estavam orgulhosos da invenção do filho.
Rose Dutra
O Estado de S.Paulo
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